Mostrando postagens com marcador A estrela da meia noite. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A estrela da meia noite. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de abril de 2011

8: A Lua part1

8- A Lua

Suspirei de alivio. Mas ainda estava com raiva dele. Que graça tinha me deixar com medo? Louco!

-Para um filhote de anjo você não é muito boa em controlar seus pensamentos.- eu quase rosnei de raiva

-Ah! Você também! Para de ler a minha mente!- quase gritei

Ele riu, por uns bons 20 minutos. Já eram 6 horas. Ele, o tempo todo em que e fiquei sentada em uma pedra, ficou me encarando com total atenção ou olhando o céu distraído. E agora, estava olhando o chão com desprezo.

-O que foi?- perguntei

-Estou pensando. Cale-se.

-Nossa... meus parabéns. Recebeu o prêmio de total ignorância.- debochei olhando o céu

-Terás que se esconder da lua, pequena.- disse ele distraído voltando olhar para o céu

-Por que?- perguntei olhando a primeira estrela que aparecia longe

-Se ele falhar, virão te procurar. E se a lua te ver, te encontrarão.

-A tá! Só se eu me esconder em uma caverna!- disse eu com sarcasmo, ele se levantou ficando bem mais alto, nas pedras atrás dele havia uma pequena caverninha, mais ou menos do meu tamanho

-Esta é a idéia.- disse ele, eu me levantei

-Ah, não! Nem pensar! Nem pense em me trancar aí dentro!- disse assustada com a idéia

-Por que não?

-Você tem vela por acaso?

-Não.

-Então não.

-Tem medo do escuro?- eu, com certeza, fiquei vermelha nessa hora

-Não! Só que, e se, e se, uma cobra aparecer ali dentro? Como irei me proteger, ou, ou ver ela?

-Suas asas brilham, não se lembra?

-Só com a luz da lua!

-Não. Ah, não é possível. És ignorante de mais.- disse ele com voz distraída, mas ainda olhando para mim, o que me deixou constrangida

-Só por que eu não sei?

-É isso que significa ignorante não é? Ou não sabe disso também?

-Ah! Já chega! Fique quieto!- disse passando por baixo dele e indo até a entrada da caverna

-O que eu falei de mais?- perguntou ele com a mesma voz distraída, mas com os olhos pregados em mim

-Nada, esquece.

Eu ainda não tinha entrado na caverna, estava apenas observando aquela escuridão assustadora dentro dela. Eu confesso, estava tremendo de verdade, mas tem que pôr em meu lugar para poder falar algo sobre o meu medo.

-Não vai entrar?- perguntou ele

-Nã, nã, não sei...- disse

-Entre logo antes que ela apareça.

-Eu... eu... tem certeza que não tem vela?- perguntei de novo

7: A nascente do Rio Nester part3

-Hum...- disse o dragão olhando-me -... creio que uma dessas coisas não será válida... por que não deseja o casamento jovem?- é. A pergunta era pra mim

-Eu, eu, eu, eu não... não conheço o garoto... ele é muito jovem... e, e... e... e eu, eu, sou muito jovem pra casar!- disse, é verdade: eu estava muito nervosa

-Hum... e por que veio com ele até aqui?- perguntou Poderoso olhando para Leonardo enquanto seus olhos faiscavam fortemente

-Não é ele, ele é o irmão do garoto, o nome de quem não conheço é Leon.- disse rapidamente, o dragão olhou para cima enquanto seus olhos voltavam ao normal e depois olhou para mim

-Entendo... e por que, jovem anjo perdido, não deseja que esta menina se case com seu irmão?- perguntou o dragão com dificuldade, Leonardo olhou para mim e sorriu

-Porque... porque a amo.

Estávamos de mãos dadas e eu só percebi naquela hora, o dragão continuou nos fitando enquanto eu olhava para Leonardo e ele para mim. Ah.... é o amor!

-Sim... e... se a ama... por que retornarás para sua casa?- Leonardo não tinha respostas e por um segundo quase gaguejou como eu

-Eu... eu achei que ela poderia retornar comigo...- disse ele assustado, segurei a mão dele com mais força

-Não. Se ela não deseja se casar ela não pode voltar. E terá que ter alguém para protegê-la dos outros anjos que virão para buscá-la.

-Mas não tem outro jeito?- perguntei assustada, a essa hora estava quase braçada ao braço de Leonardo

-Na verdade... poderia tentar convencer seus pais para que você ficasse... ou fosse para lá e se casasse com seu homem... mas duvido que eles deixariam você morar lá desonrando a lei.

Eu e Leonardo nos olhamos por instinto. Não poderia acabar assim! De forma alguma não poderia! Eu não podia deixar, e ele não me deixaria... não é?

-Eli... eu irei convencer seus pais...- disse ele pegando as minhas duas mãos e olhando nos meus olhos

-Mas...

-Onde a menina ficará?- perguntou o dragão tirando as palavras da minha boca, Leonardo olhou para ele por um instante

-Não poderia cuidar dela? Ela não pode voltar para a aldeia.- disse Leonardo segurando as minhas mãos com mais força

-Nem pense nisso. Tenho muita coisa a fazer no mundo mágico pra ficar cuidando de um filhote de anjo.- disse o dragão juntando as duas patas dianteiras e se deitando sobre elas como um cachorro, Leonardo olhou para mim

-Eli, eu posso convencê-los... mas se você for e eles não deixarem, poderão te capturar mais facilmente...

-Eu sei... vá logo ante que eu me arrependa...- disse tentando não chorar na frente dele

-Mas você ficará bem?

-Ficarei Leonardo, ficarei. Sinceramente, achei que me conhecia!- disse, ele riu e me abraçou

-Eu vou voltar, eu te juro.- disse ele

Nós nos afastamos um pouco e ele me beijou. Um beijo de despedida... que lindo! Que triste! Que trágico!

7: A nascente do Rio Nester part2

-Hum...- disse o dragão olhando-me -... creio que uma dessas coisas não será válida... por que não deseja o casamento jovem?- é. A pergunta era pra mim

-Eu, eu, eu, eu não... não conheço o garoto... ele é muito jovem... e, e... e... e eu, eu, sou muito jovem pra casar!- disse, é verdade: eu estava muito nervosa

-Hum... e por que veio com ele até aqui?- perguntou Poderoso olhando para Leonardo enquanto seus olhos faiscavam fortemente

-Não é ele, ele é o irmão do garoto, o nome de quem não conheço é Leon.- disse rapidamente, o dragão olhou para cima enquanto seus olhos voltavam ao normal e depois olhou para mim

-Entendo... e por que, jovem anjo perdido, não deseja que esta menina se case com seu irmão?- perguntou o dragão com dificuldade, Leonardo olhou para mim e sorriu

-Porque... porque a amo.

Estávamos de mãos dadas e eu só percebi naquela hora, o dragão continuou nos fitando enquanto eu olhava para Leonardo e ele para mim. Ah.... é o amor!

-Sim... e... se a ama... por que retornarás para sua casa?- Leonardo não tinha respostas e por um segundo quase gaguejou como eu

-Eu... eu achei que ela poderia retornar comigo...- disse ele assustado, segurei a mão dele com mais força

-Não. Se ela não deseja se casar ela não pode voltar. E terá que ter alguém para protegê-la dos outros anjos que virão para buscá-la.

-Mas não tem outro jeito?- perguntei assustada, a essa hora estava quase braçada ao braço de Leonardo

-Na verdade... poderia tentar convencer seus pais para que você ficasse... ou fosse para lá e se casasse com seu homem... mas duvido que eles deixariam você morar lá desonrando a lei.

Eu e Leonardo nos olhamos por instinto. Não poderia acabar assim! De forma alguma não poderia! Eu não podia deixar, e ele não me deixaria... não é?

-Eli... eu irei convencer seus pais...- disse ele pegando as minhas duas mãos e olhando nos meus olhos

-Mas...

-Onde a menina ficará?- perguntou o dragão tirando as palavras da minha boca, Leonardo olhou para ele por um instante

-Não poderia cuidar dela? Ela não pode voltar para a aldeia.- disse Leonardo segurando as minhas mãos com mais força

-Nem pense nisso. Tenho muita coisa a fazer no mundo mágico pra ficar cuidando de um filhote de anjo.- disse o dragão juntando as duas patas dianteiras e se deitando sobre elas como um cachorro, Leonardo olhou para mim

-Eli, eu posso convencê-los... mas se você for e eles não deixarem, poderão te capturar mais facilmente...

-Eu sei... vá logo ante que eu me arrependa...- disse tentando não chorar na frente dele

-Mas você ficará bem?

-Ficarei Leonardo, ficarei. Sinceramente, achei que me conhecia!- disse, ele riu e me abraçou

-Eu vou voltar, eu te juro.- disse ele

Nós nos afastamos um pouco e ele me beijou. Um beijo de despedida... que lindo! Que triste! Que trágico!

quarta-feira, 9 de março de 2011

7: A nascente do Rio Nester part1

7- A nascente do rio Nester

Tipo... como assim?!! Ah!! Qual é?! Teria como a minha vida ser mais complicada?! Impossível! Eu engasguei assim que ele disse aquilo. E, quando quase consegui falar de novo, engasguei de novo. Fomos obrigados a parar um pouco para mim beber da água do rio e respirar um pouco.

-Como assim: ele é seu irmão?!- perguntei tomando fôlego

-Simples: eu e ele nascemos da mesma mãe e do mesmo pai. Não acha isso simples?

-Simples?! Que simples! Por que você também não e da classe nobre?!

-Porque ele foi o escolhido. Somente um homem ou uma mulher de cada família pode ser da classe nobre.

-Nossa! Como é possível! Eu não acredito!- disse me levantando da beirada do rio e girando em torno de mim mesma, depois me virei para ele -... então... se... eu não ficar com você... serei obrigada a me casar com o seu irmão?- ele abaixou a cabeça durante um tempo

-É... é assim que as coisas funcionam...

-Não! Tem que haver um jeito! Tem que ter um jeito! Que droga!

-Na verdade já tentei pensar em tudo, mas não achei nada que pudesse mudar isso.

-Então vamos... você ainda está com aquele veneno no corpo.- disse ajudando ele a se levantar

Continuamos andando... é... conforme ele dizia, esse meu futuro marido era mesmo perfeito! Um idiota com um ego maior que a própria cabeça! E além do mais, era mais novo que o Leonardo... então penso: se ele é mais novo e o Leonardo me falara que tem 17 anos então se o irmão dele é mais novo deve ter 16 ou 15 ou sei lá! Não quero me casar com uma criança! Meninas amadurecem mais rápido!

De repente chegamos a uma pedra enorme e ele parou. Não podia ser ali, mas a água do rio vinha de uma fina cachoeira que saía do centro da pedra. Era muito estranho e lindo. A água parecia se multiplicar quando encostava no chão.

-Poderoso! Venho a ti para a sua ajuda pedir. Meu nome é Leonardo del Salon!- gritou ele

Por dois segundos nada aconteceu, mas depois a pedra rosnou baixo e o som foi aumentando devagar. Eu e Leonardo nos afastamos três passos e na nossa frente, como um grande camaleão, apareceu um gigantesco dragão. Eu gritei e me escondi atrás de Leonardo. Ele continuou encarando o dragão sério.

-O que queres, anjo perdido?- perguntou o dragão com a sua voz de trovão, sinceramente, eu estava apavorada

-Desejo a cura, o meu retorno para o mundo das nuvens e uma maneira de livrá-la do casamento.- disse ele saindo da minha frente e me abraçando de leve para mim não fugir, e, eu juro, se ele não tivesse me segurado, eu teria fugido

6: A confissão part2

-Eli...- me chamou ele depois de um tempo olhando as estrelas

-Está melhor? São as dores? O que aconteceu?- perguntei, sim, eu estava assustada, ele riu baixinho

-Estou bem Eli! Calma! Eu quero que você me prometa... que se eu não conseguir chegar ao Poderoso... você...

-Não Leonardo! Não! Pare de ser negativo! Você vai conseguir!- disse me recusando a escutar o que ele dizia, ele colocou a mão no meu queixo sorrindo e levantou a minha cabeça

-Quero que prometa que vai ir até ele e pedir ajuda para fugir.

-Leonardo...- sussurrei não acreditando em suas palavras... ai que fofo!

-Eli, me prometa...

-Não!

-Eli!- suspirei, era impossível discutir com ele

-Tá... mas eu sei que você vai conseguir... quanto falta?

-Nesse ritmo... uns... dois dias no mínimo.- disse ele pensativo e depois olhou pra mim, sorriu e subiu a mão até o meu rosto –Mas não quero que pense nisso... como você disse... temos que ser positivos.

-Temos sim... muito mesmo...- disse o abraçando

Eu deitei a minha cabeça em seu ombro e dormi enquanto ele acariciava o meu cabelo. Não consegui dormir mais do que duas horas, logo o fiz se levantar para irmos para a nascente.

No dia seguinte as dores recomeçaram eu estava quase o carregando a anoitecer, mas teve um bom motivo: só faltava um dia de viagem tranquila até a nascente. Á noite dormi novamente com a cabeça pousada em seu ombro.

Me sentia protegida ao estar com ele, como se todos os meus pensamentos ruins fossem retirados de mim, principalmente o pensamento dos meus pais que agora poderiam estar carbonizados em algum lugar da terra da cidade.

Dessa vez dormi de mais e ele não me acordou, estava preocupado vendo o nascer do sol na montanha a nossa frente. Eu o ajudei a se levantar, com muito custo, ele mal andava.

-A culpa é minha, eu deveria ter voado com você enquanto ainda estava bom...

-Não, não pense assim Leonardo!- pedi o ajudando a dar os primeiros passos para longe da árvore em que dormimos

-É sério... eu... nós teríamos chegado mais longe... agora estaríamos lá... eu...- ele quase caiu

-Pare Leonardo! Por favor! Pelo amor de Deus! Pare de pensar assim!- ele se endireitou e ficou de pé, com muito custo, e colocou ambas as mãos no meus rosto

-Só quero que saiba que a amo... mais do que amei qualquer pessoa... Eli, eu te amo...- disse ele e depois nos beijamos brevemente

-Vai dar tudo certo... eu te juro que vai dar tudo certo.- disse e nós começamos a andar devagar

Nós continuamos durante muito tempo e, por um motivo muito estranho, as horas estavam demorando muito mais tempo para passar. Agora faltava pouco... pouco pra mim se casar com o mané sei-lá-quem.

Eu tinha que falar alguma coisa. Eu sei que ele me disse que não vai me deixar casar, mas mesmo assim... sei lá... se fosse arriscar a vida dele eu preferia casar... com o mané sei-lá-quem!

-Leonardo...- chamei depois de um tempo

-Pode falar Eli.

-Hãm... qual é o nome do mané sei-lá-quem?

-Quem?- perguntou ele rindo

-O mané com quem eu vou me casar.- respondi rindo também

-Eu não vou te deixar casar se você não quiser Eli.

-Eu sei, confio em você. Mas se de alguma maneira isso te arriscar... eu prefiro me casar.- ele parou olhando para mim durante um tempo e depois sorriu e nós continuamos andando

-O nome dele é Leon.

-Leon? Nunca conheci alguém com esse nome. E... você conhece ele?

-Se eu conheço ele? Claro!... Ele é meu irmão.

6: A confissão part1

6- A confissão

É sério, isso foi mais do que vocês podem imaginar, imaginem no meu lugar: a minha mão direita no rosto do homem mais lindo do mundo, ele com uma mão em volta do meu pescoço e a outra no meu rosto, acariciando a minha pele, você está prestes a se casar com um mané sei-lá-quem e esse homem lindo fala que vai lutar ao máximo para não te obrigarem a se casar...

Ah!!!!- gritei por dentro

Depois ele me virou no colo dele e me beijou... tipo dançando tango, que o cara inclina o corpo da menina para beijá-la durante a dança, mas, é claro, que foi no chão... atrás de um carvalho, o sol quente e corações palpitando. Depois de... sei lá... muito tempo, nós continuamos a seguir o rio.

-Leonardo...- chamei enquanto andávamos pelo rio lá pelas seis da tarde

-Pode falar Eli.

-Qual é o nome dele?

-De quem?

-Do... ah, sei lá, desse cara com quem eu vou me casar...

-Ele é meio mesquinho e o nome dele é Leon.

-Anjos não são perfeitos?

-São, mas cada um tem o seu jeito de ser... e o seu... é um pouco diferente!- acrescentou ele rindo

-Obrigada, é melhor ser assim do que ser uma garota monótona igual a todas...- disse ela

Leonardo olhou para mim, não sei o que viu... se o resto do sol que batia no meu rosto me deixava bonita ou feia, sei que ficou olhando em silêncio durante um tempo e depois sorriu e continuamos andando.

Nesta noite dormi em uma árvore grande velha vendo a lua entre os galhos. O inverno estava se aproximando e nós tínhamos que chegar no “Poderoso” antes disso. Não conseguiríamos continuar de baixo da neve.

Eu estranhamente nunca senti muito frio durante essa época, e ele me disse que também não, mas mesmo assim a neve era um obstáculo difícil. Na manhã seguinte nós continuamos, estávamos indo mais depressa, pois ele estava sentindo dores méis frequentes nas asas.

Á noite do segundo dia depois do beijo... que beijo! Mas, tá! Continuando: á noite do segundo dia depois do beijo chegamos ao rio Nester. Era um rio normal, mas largo e com muita, muita, muita água e pedras.

Eu tinha a impressão que se eu pulasse ali seria arrastada em menos de dois segundos. Continuamos até a noite. Ás duas da manhã fomos obrigados a parar, Leonardo estava com muitas dores em todo o corpo, agora, com certeza, sabíamos que o veneno não tinha pegado só nas asas. Nos sentamos de baixo da árvore mis próxima: um pinheiro.

5: O Rio Nester part2

-Não é por causa da minha parte humana?- perguntei também me virando para ele

-Não... e sim... não porque não é por causa de você... e sim porque é você...- ele pôs a mão no meu rosto e se aproximou -... eu estou gostando de você... muito mesmo...- eu me aproximei mais

-Mesmo não sendo perfeita?

-Você é perfeita de mais pra mim do jeito que é...- disse ele e depois me beijou

Ai, ai, ai!!! Nunca vou me esquecer... ai que vontade de ficar ali pra sempre... mas agora não dá. Antes tivesse ficado. Agora estou aqui, nesta porcaria de lugar que eu não sei nem aonde é! Ai que arrependimento!! Ah!! Ele passou a mão no meu pescoço e me trouxe para mais perto, eu estava com a mão no peito dele e... ai... Deus, quem me dera poder fazer um desejo... aí eu desejaria mais vinte desejos e pediria: de novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo! De novo!... cara... que momento. Ele se afastou um pouco olhando nos meus olhos.

-E a sua... futura esposa?- perguntei calmamente ainda o olhando nos olhos enquanto sua mão pousava no meu rosto, ele riu rapidamente

-Que arranje outro... mas você ainda tem que se casar...- sussurrou ele

-Mas por que?- perguntei assustada pondo a minha mão no rosto dele também

-Porque ... olha, eu não devia falar, mas você é a princesa... herdeira do trono... e você tem que se casar com alguém de classe nobre também.

-Classe nobre? Mas seu mundo não é perfeito?

-É. Eles chamam de classe nobre os que foram postos para viver na terra e crescerem sozinhos para depois voltar.

-Então eu não sou a única?

-Não.

-E você não...

-Não.- concordou ele com olhos tristes, eu confesso, fui atrevida, mas o momento pedia

-Por favor, não me deixe! Não me deixe sozinha, não me deixe casar... eu quero ficar com você...- eu disse desesperada, eu avisei que eu fui atrevida!

-Eli, nem eu e nem ninguém pode fazer isso...

-Por favor Leonardo... não me deixe ir... não me deixe casar... eu gosto de você... mais de ninguém...- disse, e aqui temos mais um exemplo de anjo atrevido

-Eli... eu te juro...- eu achei que ele ia falar que não podia e o blá, blá, blá de sempre, mas me surpreendi -... que vou lutar com todas as minhas forças para não te deixar casar...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

5: O Rio Nester part1

5- O Rio Nester

Três horas eu estava totalmente recuperada, sem cansaço, sem sono, sem nada. Ele ainda estava ao meu lado acordado. O chamei e nós começamos a andar.

Eu estava sempre o lado dele. Não tinha medo de escuro, pelo contrário: ele me fascinava, mas eu nunca fiquei tanto tempo no escuro antes. Eu saía escondida de casa com papai para vermos a lua e os animais, mas a luz da lua sempre iluminava as minhas asas e tínhamos que ir embora para nenhum normal nos ver.

A única coisa que eu via era o meu cabelo louro, minhas asas, as asas de Leonardo e seus infinitos olhos verdes. Ao amanhecer já tínhamos percorrido muito mais de 2 quilômetros. Se conseguíssemos mais 1 quilômetro de dia chegaríamos lá. Mas cerca de 11 horas, Leonardo caiu no chão com dor nas costas, eu fiquei desesperada.

-Calma Eli!!- disse ele

-Mas você está bem?- perguntei, ele estava sentado no chão e eu ajoelhada ao lado dele

-Estou... eu acho...

-Meu Deus! O veneno!

-Calma Eli... pode não ser...

-Dor nas asas e depois dor nas costas? A dor está se lastrando Leonardo!

-Calma Eli, vamos pensar positivamente... é... não tem nada pra pensar!

-Leonardo temos que continuar! Anda... levanta!- disse o ajudando a se levantar

-Elianna, temos que continuar... se você se acalmar...- disse ele pausadamente olhando nos meus olhos

-Eu sei... é que estou nervosa...

-O que? Porque um anjo vai morrer? O que é que tem? Não importo pra você nem um pouco!

-Claro que importa!- disse de repente, o que, sinceramente, me pegou de surpresa –Quem vai me levar para casa? Quem vai me ensinar a voar? Quem vai conversar comigo?

-Eli!! Respire fundo e se acalme. Só quando estiver calma iremos para lá...- disse ele, estávamos tão próximos... ai, ai! Que momento!

-Você me disse... que aconteceu algo a sua terra que você não gostava de falar sobre... o... assunto... mas...- eu estava, definitivamente, toda embolada -... você... pode me contar?

-Posso...- disse ele com um sorriso, depois pegou minha mão e me levou para longe do sol que estava muito quente -... eu acho que posso.- continuou ele quando nos sentamos atrás de uma árvore

-Foi tão sério assim?

-Foi... em parte foi.

-Então não me conte.

-Mas você não acabou de pedir?

-Acabei, mas não quero te fazer lembrar...- estávamos lado a lado e nessa hora olhei para ele, o que foi errado porque ele também olhava pra mim, o que nos fez ficar cara a cara

-Sabe... por que eu estou ficando humano de mais por causa de você?- perguntou ele se virando para mim

4: O veneno part3

-Você não ousaria!- disse ficando em pé

-Quer ver?- perguntou ele

Tentou amarrar minhas mãos durante quatro vezes, mas eu me esquivava rapidamente. De repente eu me escondi atrás da árvore e o procurei com os olhos, não o achei, e quando virei de novo para onde eu estava ele estava cara a cara comigo.

Esqueci-me que podia estar mal, mas ainda podia voar. Escondi minhas mãos atrás do corpo, ele me abraçou quase me beijando e pegou minhas mãos de novo.

-Não acredito que vai fazer isso!- disse quase chorando

-Já fiz.- disse ele mostrando as minhas mãos amarradas

-Tá, então eu não acredito que você fez isso!- debochei enquanto ainda estávamos perto um do outro

-Passe a acreditar enquanto andamos... agora vamos...- disse ele e depois começou a me puxar

Não importava como, mas eu não ia facilitar para ele! De maneira alguma! Ele parou por cerca de vinte vezes para perguntar se eu estava bem ou se eu desistia de ser puxada por uma corda. Nem preciso dizer o que respondi.

Á noite não tínhamos percorrido mais de um quilômetro, o que não era nem de perto o que nós tínhamos percorrido no dia anterior. E ainda haviam no mínimo mais 3 quilômetros para chegarmos a nascente.

Ele fez uma fogueira sozinho (porque eu disse que não iria facilitar para ele), mas ele nem me pediu ajuda. Não me importava com ele... ou não queria me importar, mas ele estava sentindo dores fortes de mais nas asas.

-Tá, quando é que você vai me falar?- perguntei olhando as estrelas deitada em uma árvore ainda com as mãos amarradas, ele olhou para cima

-O que?

-O que está acontecendo com as suas asas.- disse pulando da árvore e me sentando perto dele

-Nada.

-Eu sei que tem algo.- insisti, ele suspirou

-Não tem nada Eli, vá dormir.

-Você deve achar que eu sou alguma criança não é? Olha, eu sei que tem algo de errado quando vejo algo de errado e pronto... então vai me falar?

-Estou envenenado... é isso...

-Não...

-Sim, o poderoso pode me curar, mas ainda estamos no rio Avanche... falta muito para o rio Nester... e ainda mais para a sua nascente...- me inclinei para mais perto dele

-Não! Como isso aconteceu? Estava bom antes de ontem!

-Foi antes de cair... foi uma briga...

-Mas anjos não são perfeitos?

-Nós sim... nossos inimigos não.

-E quem são?- ele olhou para mim com seus infinitos olhos verdes e sorriu levemente

-Você não precisa saber agora Eli. Não era nem para mim ter te contado que você vai se casar...- ele se encostou no caule da árvore, fique ainda de frente para ele, milhares de perguntas voavam na minha cabeça pra lá e pra cá, ele riu -... eu não vou morrer Eli, eu acho.

-Eu pedi pra parar de ler a minha mente! Será que não se lembra?

-Eu não li, dava para ver de longe que você queria fazer essa pergunta...

-Não vamos chegar lá a tempo, você sabe disso.

-É eu sei... acho que o veneno só atingiu as minhas asas... no caso, eu vou perdê-las... mas vai ser até bom, assim não terei que me casar com a perfeita Beatriz...

-Jura? Me passar um pouco desse veneno?- ele riu

-Não! Eu disse que eu acho, ainda osso morrer por causa do veneno eu acho...

-Você disse que nos não precisamos nos alimentar não é?

-É... por que?

-Vamos caminhar á noite também, assim vamos mais rápido até o local... mas te garanto que quando chegarmos lá, irei fugir!

-Confia em mim?

-Confio.

-Está correndo o risco de se casar contra a vontade para me salvar... por que?

-Você é um vida! Faria isso por qualquer um.- disse meio incerta, ele se aproximou e desamarrou as minhas mãos -Obrigado... eu...

-Tudo bem... eu confio em você também...- disse ele se encostando novamente na árvore, me encostei ao lado dele e dormi

4: O veneno part2

-Como pode ser! Não é possível!- depois me virei pra ele –E você que se case com essa dona Beatriz perfeita que o problema é seu... e o meu futuro marido diga a ele para escolher outra! De qualquer forma será perfeita para ele também!- depois saí andando pela floresta, mas ele era muito mais rápido que eu

-Não pode desistir!- disse puxando o meu braço para que eu parasse

-Quer ver?- soltei me braço e continuei andando

-Não pode voltar para aquela família! Não pode ficar aqui!

-Quer ver isso também?

-Eli! Me escute! Você tem que se casar! Ou virará humana para sempre!- disse ele correndo atrás de mim

-Melhor ainda!

-Eli, pelo menos o conheça...

-Não quero homem perfeito! Quero homem que me ame e que eu ame!

-Elianna!! Dá pra você parar?!!- gritou ele com a voz grosa que instantaneamente me fez parar e voltar para ele com os braços cruzados

-Jura?! Para que? Para você me levar para aquele lugar perfeito e me fazer casar com o homem perfeito com o qual eu não me importo nem um pouco?

-É.

-Jura? Você e mais quem vai me levar?

Ele não esperou mais nem um minuto, me pegou no colo e me levou á força. As asas dele poderiam estar ruins, mas seus braços estavam muito bons... muito mesmo. Foi só nessa hora que percebi que ele era muito forte.

Ele me colocou sentada perto da fogueira e se sentou ao meu lado. Tentei fugir mais quatro vezes, sem sucesso, claro! Já deveriam ser três da manhã, mas ele continuava firme ao meu lado sem sono, enquanto eu já estava quase desmaiando.

-Será que você não vai dormir? Durma logo Eli! Precisará de energia para caminharmos amanhã... hoje...

-Leonardo...- comecei com voz doce -... ainda bem que é musculoso, porque você vai ter que carregar 40 quilos nas costas amanhã, que eu não arredo o pé daqui!- gritei, ele ficou um tempo olhando para mim e depois balançou a cabeça que não

-Com prazer, agora durma.

-Nem pensar! Com certeza você vai dormir e aí sim eu quero ver alguém me parar!- ele olhou para a fogueira

-Confie em mim Eli... vá dormir, eu não dormirei hoje.- disse ele

Eu ainda permaneci ali ainda algum tempo, mas depois acabei dormindo vencida pelo sono e por um cara lindo. Acordei umas... sei lá... parecia onze horas para mim, mas sei que estava com muito sono.

Ele tentou me fazer andar conversando comigo e falando que o meu futuro marido era um cara legal. Mas eu me recusei de qualquer forma.

-Eu não acredito que vou ter que fazer isso, mas... você não me dá escolhas.- disse ele

Ele entrou na floresta e voltou com um cipó enorme enrolando nas mãos. Ele olhou para mim. Eu balancei a cabeça que não.

4: O veneno part1

4- O veneno

-Exatamente por isso que me ofereci para buscá-la... sabe... eu gosto mais daqui do que de lá...- ri debochadamente

-O que? De ter que se esconder para não ser queimado vivo? É disso que você gosta?

-Não! De pessoas com defeitos... é disso que eu gosto... não se pode ser perfeito, mas os anjos são... você não sabe o que é viver em um mundo onde todos são perfeitos, todos fazem o que todos querem... se você quiser ser amiga daquela pessoa aquela pessoa quer ser a sua amiga. Você não tem desafios, você não luta para sobreviver, você não... você não se apaixona... você simplesmente se casa... somos todos tão perfeitos que não precisamos de sentimentos, porque... porque simplesmente não precisamos.- me sentei de novo, minhas asas começaram a doer muito, mas eu continuava prestando muita atenção –Não precisamos de felicidade, porque sempre temos ela, não precisamos de amor, porque qualquer um que você escolher vai ser perfeito pra você e você será perfeito para ele também... não precisamos de tristeza ou raiva porque simplesmente não usamos...

-Nossa esse lugar deve ser... sei lá... horrível...

-Pra você vai ser mesmo...- disse ele pensativo

-Por que?- perguntei devagar, ele olhou para a lua e depois para mim

-Se eu falar isso mamãe nos mata, vem aqui...- disse ele puxando o meu braço para atrás de uma árvore tão grande que a luz da lua não passava elos seus galhos

-Mamãe?! Eu sou sua irmã?

-Não! É maneira de falar, a lua é a mãe de todos, esse é o apelido dela...- ele tocou meus ombros de leve e olhou nos meus olhos -... tem um motivo para eu vir te buscar agora... você está de casamento marcado.

Desmaiei instantaneamente, só me lembro de acordar de manhã no colo dele enquanto ele tirava meu cabelo do meu rosto. De repente tudo foi ficando mais escuro e mais escuro até que eu estava de noite. Sim, tinha acordado três minutos depois e tinha achado que era de manhã... loucura!

-O que aconteceu?- perguntei, eu realmente estava com uma amnésia temporária

-Você está com o casamento marcado...- disse ele, eu quase gritei, mas ele tapou a minha boca -... calma! Ele vai ser perfeito pra você!

-Dana-se a perfeição! Eu quero amar alguém!!- disse eu me levantando com a ajuda dele

-Eu também, mas também terei que me casar com uma tal de Beatriz... ela é tão perfeita que dá nojo!- disse ele rindo e se encostando na árvore, eu peguei uma pedra, atirei no rio de longe e fiquei andando de lá pra cá

3: O rio Avanche part2

Ele era bem forte, mas não era de ferro e ele podia não admitir, mas eu sabia que suas asas estavam doendo. Andamos por uma hora e depois paramos para descansar, ele ficou me enchendo de perguntas de como era a minha família aqui na terra e como era ser um humano. Depois que eu falei como nós vivíamos ele desistiu na hora.

Não sei por que, mas acho que dormir no chão da sala não o agradou nem um pouco. Ainda estamos no rio Avanche faltava muito para o rio Nester e ainda mais para a sua nascente.

Fizemos uma fogueira a noite, as asas dele estavam tão doloridas que ele não conseguiu nem voar sozinho. Eu até pensei que foi por causa do meu peso, mas eu sou quase anêmica!! Com 15 anos peso apenas 40 quilos! Ele riu disso.

-Anjos não são pesados, você não é anêmica por causa do peso...

-Então por que suas asas estão doendo?

-Não sei.. eu acho que... sei lá...

-Ah... você sabe sim!- eu tinha certeza que estava mentindo

-E como pode ter certeza?

-Sei lá...- disse olhando a fogueira, eu realmente não sabia como eu sabia que ele sabia por que as asas dele estavam doendo

-Viu? Está se tornando uma anja de verdade... eu sabia!

-Sabia o que?

-Que não tinha se tornado uma humana completamente...

-Com essas asas, como é possível?

-Se você se transforma em humana completamente, quando faz 15 anos as suas asas caem... e você vira humana para sempre.

-Jura? Eu poderia ficar livre desse treco então?- perguntei interessada, ele riu de novo

-Existem humanos que se matariam por um par de asas desses... e outros que te matariam por ver um par de asas desses.

-Por que você acha que eu quero me livrar delas?- debochei, ele riu de novo

-É... com certeza você ainda tem algo dos humanos...

-Se você falasse terráqueos eu me assustaria...- disse olhando para o céu -... como é lá?

-Eu não posso te contar....

-Por que?

-Isso também não posso...

-Então me diga algo que possa contar!- quase gritei de raiva

-Hãm... não sei...

-Ah!- disse deitando-me na grama olhando para o céu, só podia ficar deitada em cima das minhas asas por alguns segundos, pois depois ela começavam a doer de novo

-Quer saber mesmo de algo que eu posso te contar?

-Se eu não quisesse te perguntaria?

-Estou ficando humano também... por conviver com você...

-Qual é Leonardo! Você mesmo me disse a pouco que eu não sou tão humana!

-E não é... mas ainda tem uma parte humana... sabe... lá no outro lado... são todos perfeitos... anjos não tem defeitos... eles são os que desaparecem com eles... eles não brigam, não discutem, não sentem raiva...

-Nossa que mundo perfeito!- debochei

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

3: O rio Avanche part1

3- O rio Avanche

-Por que eu não posso voltar? Iremos para onde?

-Por que... seu destino... bem, temos que seguir o rio Nester até a sua nascente. Lá o poderoso saberá o que fazer.

-Quem?- perguntei assustada

-O poderoso...- depois ele me olhou, viu que eu estava assustada e riu -... não! Não é Deus, o nome dele é poderoso, mas ele nem é tanto!

-Que mãe daria o nome do filho de poderoso?!- perguntei mais assustada ainda

-Eu não sei, sei que a “mãe” dele não lhes deu nome algum... vamos dormir, eu faço o primeiro turno e você fica com o segundo...- ele se levantou e olhou ao redor -... hãm... o que você acha daquela ali?

Ele estava apontando para uma árvore gigantesca que havia ali perto. Eu concordei com a cabeça incerta. Jamais dormira em uma árvore antes. E em raras vezes chegaram tão perto de uma, já disse: era trancada em casa, por vontade própria claro! Mas mesmo assim era trancada.

Ele me ajudou a subir e me acomodei como pude lá em cima. Depois de alguns minutos tentando dormir me veio a mente um fato antes esquecido. Me inclinei para baixo, ele estava sentado na relva abaixo da árvore e me sorria incerto. Sorri também.

-A propósito... você não me disse o seu nome...- disse confiante a ele, aquilo pareceu pegá-lo de surpresa

-Me, meu nome?!- perguntou, sim, com certeza aquilo o pegou de surpresa

-Sim, o seu nome... sabe pelo menos o que é isso não é?

-Sim, eu sei, mas meu... olha, iremos fazer assim: chama-me de Leonardo...

-Está certo então... boa noite Leonardo.- disse eu sorrindo

-Boa noite Eli...- disse ele som um sorriso simpático que , sinceramente, fez o meu coração se derreter

A noite foi tranquila. Ao contrário do que pensava, ele não me acordou para o meu turno, me acordou algumas horas após o nascer do sol. O céu estava azul, mas o ar estava sonolento, como se fosse o dia mais chato do mundo ( 100% ao contrário do que eu penso agora). Tomamos café: frutas, ele tentou me ensinar a voar, disse que seria mais fácil para chegarmos a nascente assim, mas não conseguiu. Depois comemos o almoço: frutas e então partimos entre a floresta.

Fomos andando. Depois de algum tempo eu já estava com os pés cansados, mas não me atreveria de pedir a ele que me carregasse, em hipótese alguma!!

-Tá, não precisa pedir então!- disse ele rindo, parei assustada

-O que?! Olha, não sei como que são as coisas na sua terra, mas aqui as pessoas não ficam lendo a mente dos outros tá?!- disse indo atrás dele mais depressa, enquanto falava ele colocou a mão direita no caule de uma árvore bem fina e girou nela parando bem na minha frente

-Na nossa terra...- sussurrou ele eu, sinceramente, tive vontade de bater na cara dele, que atrevimento! Mas por outro lado... é melhor eu não falar nessa parte

-Como é lá?- perguntei, havia algo em como ele falava nossa, que me fascinava

-Como era lá... você quer dizer...- os olhos dele tomaram uma luz escura de tristeza

-O que... o que aconteceu?

-Depois poderoso te explicará... eu não gosto muito de falar sobre isso...- disse ele e depois voltou a sorrir como antes, eu só queria mudar de assunto para ele tirar aquela tristeza dos olhos

-Mas não mude de assunto! E pode parar de ler a minha mente por favor?!- disse tentando não rir

-Mas é divertido! Você pensa cada coisa estranha!- enrubesci

-Co, como o que?

-Hum... tá! Eu paro de lê-la se desejar...- disse ele olhando nos meus olhos -... mas eu não esqueci o que você pediu!

Ele riu e me pegou no colo. Depois alçou voo. No inicio me senti constrangida, mas depois me acostumei. Voamos durante três ou quatro minutos pois chegamos ao rio. Paramos para um lanche no leito do rio e depois partimos a pé.

sábado, 22 de janeiro de 2011

2: As asas part 2

Ah!!!!!!- gritei por dentro


-Hora de você ir. Completar o seu destino. Se afastar destes humanos.

-O que?! Como assim? Eu nem me despedi!

-Viu? Eles estão te tornando humana de mais!- disse ele sentando-se novamente na pedra

-Humana de mais? Me diga... o que é ser humana de mais?- perguntei sentando-me ao lado dele na pedra, eu realmente não sabia.

-O que?- ele riu -Tá brincando não é?

-Não...- disse olhando o reflexo da lua no lago ele tirou o sorriso do rosto

-Bem.... hãm... você sabe! Pecados... como gula... luxúria... vaidade...

-Eu não tenho isso...

-Mas... hãm... você tem certeza? Por que até certa... hãm... idade, os anjos não podem ter certos... hãm... bem... sentimentos...- a voz dele fracassou, ele realmente aparentava estar embolado

-Sentimentos são proibidos?!- quase gritei, ele levou um susto

-Não! Não todos!

-Então quais?- perguntei o olhando fixamente, ele enrubesceu e desviou para o lago

-Hãm... inveja, ciúme... e... sei lá... paixão, amora...

-Quer dizer amor?

-Hãm... o que? Ah! Sim, é! Amor não amora! É que estou com fome sabe?- disse ele rindo, eu não caí nessa

-Tá, quando eu vou pra casa?- perguntei esperando ter alguma brecha

-Elianna... é isso que estou tentando explicar, mas é mais difícil do que parece conversar com você...- eu me apavorei, ele não poderia falar aquilo que ele ia falar não é? -... você não vai voltar pra casa.

Ele falou! Aquele idiota falou!! Talvez eu estivesse realmente muito humana pois o que eu sentia naquela hora era 100% ira!! Ai que vontade de apertar o pescoço dele até ele não respirar mais!!

Ahhhhh!!!!!!- gritei por dentro

Eu me levantei e fui em direção a floresta. Ele me seguiu me chamando.

-Mas onde você vai?- insistiu ele puxando o meu braço

-Se vamos passar a noite aqui eu não vou morrer de fome! Eu vou procurar alguma fruta e você faz uma fogueira.

-Não precisamos.

-Por que?

-A luz da lua nos dá a força que precisamos.

-Algo comestível?- perguntei ainda com raiva

-Não...

-Então tchau!- disse e depois me virei e fui floresta a dentro

Como muitos imaginaram, não, eu não fui buscar comida. Eu fui jogar a minha raiva fora passando um tempo com a natureza. Depois sim que eu procurei frutas e voltei com os braços cheios de laranjas e maçãs de uma fazenda a meia hora dali.

Não conversei com ele. Não queria ficar com raiva a ponto de quase arrancar as asas dele de novo. Mas, de qualquer maneira, depois de duas horas ele começou a falar sem parar e me fazia perguntas em relação aos meus pais. Eu só respondia com sim ou não, ou simples acenos de cabeça

Uma coisa que todos tem que saber sobre mim é que sou a garota mais teimosa que vocês poderão ter a chance de conhecer. Ele aprendeu isso rapidinho e se calou.

Mas como sempre, eu estava errada. Era melhor quando ele falava. Agora até o barulho das corujas me matava de medo. Ele percebeu isso rapidinho.

-Tudo bem?- perguntou ele

Olha é sério, eu tava loca pra responder: “Tirando o fato de você estar me sequestrando tá tudo ótimo!”, mas eu não disse isso, só olhei para ele com olhos tristes. Ele estava sentado ao meu lado e me abraçou.

Eu comecei a chorar.

Não por ele.

Não pela coruja.

Não por mim.

Mas pelos meus pais.

-O que eles vão fazer se os acusarem?!- perguntei a ele enquanto ainda chorava

-Eu não sei...

-Nós podemos salvá-los? Você sabe... da fogueira?

-Me desculpe, mas não. Nós não podemos fazer nada... a não ser esperar.- eu chorei mais e ele me abraçou com mais força (e nossa! Que abraço!) –Você está melhor?- perguntou quando parei de chorar e nós nos afastamos

-Não... eles eram as únicas pessoas no mundo que se importavam comigo de verdade... e agora... eu os abandono...- disse sentando-me á relva fria

-Não é verdade Eli...- disse ele sentando-se ao meu lado

-Eles me chamavam assim...

-Me desculpe, se quiser não te cha...

-Não!!- cortei –Me ajuda a me lembrar deles...

-Está certo Eli.- ele sorriu para mim e eu para ele

2: As asas part 1

2- As asas

Cheguei ao buraco e me inclinei para ver melhor. Estava muito escuro. De repente algo sai de cima do buraco e me impura, fui parar deitada o chão com um homem em cima de mim e uma adaga no meu pescoço.

Mas...

Mas...

Mas...

Mas ele não era um homem normal.. ele... ele tinha lindos cachos no cabelo loiro curto, lindos olhos verdes e um lindo sorriso (sim! O cara com a adaga no meu pescoço estava sorrindo simpaticamente para mim).... pra resumir ele era lindo! Mas não é isso... ele tinha... asas? Grandes e belas asas brancas?! P-e-r-f-e-i-t-o!!

Ele olhou nos meus olhos, riu e guardou a adaga no bolso enquanto me ajudava a me levantar. Eu estava eufórica. Primeiro: o primeiro homem que eu fico tão próxima, segundo: o primeiro homem lindo de mais que eu fico tão próxima e terceiro: o primeiro homem lindo de mais que eu fico tão próxima é um anjo!

Mas a minha alegria dura pouco, logo eu escuto a voz do meu pai rouca na floresta apressando-me.

-Eli! Eles estão vindo!- cochichou ele

Ele e o todo-maravilhoso anjo se entreolharam e meu pai concordou com a cabeça. O anjo me abraçou bem forte a alçou voo. Sim, nós voamos! Não, e não voei! Sim, ele me carregou! Mas a minha felicidade acabou bem rápido como antes. Eu queria voltar!! O que fariam com meu pai? Bem... já tivemos essa conversa antes, mas eu não sei se ele iria fazer o que eu havia lhe pedido.

-Não se preocupe... ele estará bem...- disse o anjo enquanto ainda voávamos sobre as árvores, e como voamos longe!

Pousamos em uma lagoa em baixo de uma pequena cachoeira. Era lindo! Ele se sentou em uma pedra. Eu o fiquei encarando, quer dizer como ele era um anjo? Como era lá? Ele sabia quem eram os meus pais? Ele me conhecia? Como eu caí? Como ele caiu? Ele se virou para mim e riu.

-Qual é a graça?- perguntei, não importa o como ele era lindo, ele não podia ficar rindo de mim toda hora

-O que?- ele parou de rir

-Qual é a graça? Você riu de mim ali em cima, e está rindo agora de novo!- ele se levantou e foi até mim dizendo:

-Você tem tantas perguntas... mas não posso responder a todas..- ele foi até mim

-O que?! Como você faz isso?- ele riu

-Outra pergunta!

-Pois trate de responder esta!- retruquei ele parou de rir e olhou meus olhos com seus adoráveis olhos verdes

-É o que os anjos fazem.- disse ele sério

-E como se faz isso?

-Depois te ensino, o que importa é que chegou a hora.

-Hora de que?- perguntei

Ele chegou bem perto de mim, perto mesmo. Eu só podia pensar: “ai meu Deus! Não é possível!!” Ele encostou a testa dele na a minha e segurou os meus ombros. É sério: eu poderia ficar lá o dia inteiro pelo resto da minha vida! Depois ele me encarou novamente, mas dessa vez com os olhos tristes e se afastou.

Ah!!!!!!- gritei por dentro